Como utilizar Padrões para criar e desenvolver mercados
terça-feira, novembro 18th, 2008 17:00 by Diego Túlio Tomaz Gomes Print Imprimir esta página.

A criação/utilização de padrões tem um potencial enorme na criação de mercados e possibilidades inovadoras de negócios. Hoje, vivemos um momento em que grandes empresas (em alguns casos concorrentes) se envolvem e trabalham juntas desenvolvendo soluções para problemas que elas possuem em comum e/ou para interoperabilidade.

Dando uma pesquisada ampla sobre padrões atuais, principalmente na área de serviços web, acabei identificando algumas coisas que gostaria de compartilhar com vocês. Então resolvi sistematizar este processo e identificar características comuns (padrões?) na criação de padrões bem sucedidos e processos que facilitam a adoção deles. Vamos lá:

  • Pesquise muito antes de escolher criar um padrão. Padrões devem ser elementos simplificadores, e não apenas mais um. Relevância é ponto chave aqui, verifique iniciativas similares, concorrentes, proprietárias, etc. Lembre-se sempre que o que caracteriza um padrão é sua adoção massiva por um grupo que necessita falar a mesma linguagem, reduzindo assim custos, e tornando as coisas mais escaláveis. O World Wide Web Consortium (W3C) identificou uma necessidade e propôs em meados da década de 90 um formato que pudesse simplificar e melhorar a comunicação entre os diversos sistemas e bancos de dados. Um formato que fosse extensível e simples, separando forma de conteúdo. Surgiu assim o XML, um formato que hoje tem massa crítica de usuários.

  • Pense 2 vezes antes de criar um padrão. Será que ele realmente é necessário e relevante? Passe novamente pelo item anterior! Alguém sabe porquê afinal a Microsoft criou o .docx? Será que ele era realmente necessário? O Google Docs ainda não abre arquivos .docx, o OpenOffice também não, e ele sequer é retrocompatível para quem possui versões mais antigas do office. Quantas pessoas no mundo podem ter tido problemas por causa disso?

  • Se já existe um padrão estabelecido e o mesmo possui problemas, ou limitações, entre em contato com os responsáveis, tente achar um ponto de colaboração, afim de evoluir o padrão e não no sentido de criar algo completamente novo. E se você descobrisse que o OpenID é quase ideal ao seu serviço web, mas você gostaria que ele tivesse autenticação sem sair da página, como o facebook connect? A comunidade está discutindo isso agora. Que tal você se manifestar e desenvolver a funcionalidade que precisa visando manter a compatibilidade, antes de sair por aí criando algo completamente novo e não compatível?

  • Crie um padrão aberto. É uma questão mais ideológica que prática, mas um padrão aberto tem um formato que é evolutivo e adaptativo por natureza. Exemplos como a abertura do padrão SWF pela Adobe, mostra a tendência de empresas que criam padrões proprietários e depois os tornam abertos, afim de conseguir uma comunidade maior e melhorar seu produto.

  • Negocie e converse com pessoas e empresas com o mesmo problema que você. Padrões são criados para resolver problemas comuns, conversar com pessoas e empresas sobre as soluções já encontradas e uma possível adaptação, ou mesmo a adoção imediata, pode poupar muito em desenvolvimento e já dar uma base inicial de usuários maior ao padrão. Padrões só são padrões quando atingem massa de usuários e se provam eficazes em muitas situações diferentes. Negociar com outras empresas ou desenvolvedores e criar o padrão coletivamente pode ser uma alternativa bastante interessante e mais economicamente viável. O protocolo Oauth foi criado por 2 pessoas, mas através de negociação com grandes parceiros ( Google, Twitter, etc ) e outros padrões, (OpenID) conseguiu se consolidar e atingir massa crítica de usuários. Hoje ele faz parte de um “Open Stack” [1] [2] para web.

  • Interoperabilidade é a chave do sucesso. Um padrão deve buscar sempre a compatibilidade com diversos sistemas, retrocompatibilidade, criando uma interface realmente significativa com quaisquer outras aplicações. Numa era de mashups e API’s abertas, este é um ponto crucial.

  • Simplicidade de implantação e documentação rica. Um padrão deve resolver apenas um problema específico, nada mais. Para conseguir massa crítica trabalhe com uma documentação vasta, e além disso, tutoriais, suporte, videos e toda a informação possível. Desenvolva uma comunidade dos interessados no seu padrão para que eles possam colaborar. Adoção de Padrões também ajuda a encontrar e capacitar pessoal.

  • Novos Padrões surgem em resposta a um padrão fechado. Não é regra, mas é bastante comum, que novos padrões surjam para bater de frente com um modelo já estabelecido e proprietário. Veja o seu segmento, observe se ele é altamente dependente de um padrão fechado. Talvez seja hora de propor algo novo, aberto e assim reduzir custos de P&D para muita gente. O OpenSocial surgiu em resposta ao sistema fechado e monopolista da plataforma de aplicativos do Facebook.

  • O bom padrão quase sempre é invisível. As pessoas utilizam, trocam dados e nem sequer percebem. Quantos usuários finais sabem o que é um PDF, um XML, ou um OpenID? O importante é a função e não a forma. Ao criar um padrão foque em usabilidade e na facilidade de implementação. Se você quer adoção de um possível padrão, faça com que a vantagem que ele traz seja visível, mas não necessáriamente o padrão em si. Perceba que em breve os usuários dos maiores players da web terão OpenID e sequer saberam disso. Vai ser comum você ouvir que a conta do Windows Live! ou do Gmail é ótima e abre todas as portas.

  • Adote padrões estabelecidos. você já sabe as vantagens. Está esperando o quê?

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