Gian Luigi Longinotti-Buitoni e a importância das Comunidades
quarta-feira, maio 21st, 2008 19:00 by Diego Túlio Tomaz Gomes Print Imprimir esta página.

Ontem tive a oportunidade de comparecer a uma palestra de Gian Luigi Longinotti-Buitoni no evento Gestão do Futuro, no palácio das artes, em Belo Horizonte.

Para quem não conhece, Gian Luigi é ex CEO da Ferrari, e atual do portal Goal.com. Ele escreveu o livro “”Vendendo Sonhos” onde aborda a gestão de marcas com um enfoque diferente. Ele afirma, que as grandes marcas se costroem sobre arquétipos de sonhos, e que estes podem ser de Liberdade, Reconhecimento Social ou Heroísmo.

Segundo ele, vivemos uma era de sonhos e nesta era, o sonho é a única maneira de se conectar emocionalmente com o público, porquê sonhos não mudam e sempre existirão. O sonho de liberdade, por exemplo sempre existiu, servindo de mote para produtos que vão desde bicicletas até supermotos. Quem foca no produto, está sujeito a crises de mercado ou superação tecnológica, quem foca no sonho, estará sempre no mercado.

Para quem se interessa por branding recomendo o livro, e infelizmente não consegui achar os slides da palestra para disponibilizar.

Mas e daí? Eu passei a palestra toda pensando; Como se conectar com seu consumidor em um nível diferente na Internet? A Ferrari não chegou onde chegou só pela tecnologia que possui, ela possui uma legião, uma comunidade. E na internet isso se aplica de uma forma totalmente nova:

  • Marcas não se controem de produtos e sim de comunidades. O Facebook é uma marca avaliada em quase 15 bilhões, e seu produto é basicamente, uma comunidade personalizável. Um exemplo de empresa de bens de consumo com um valor próximo a esse seria por exemplo a General Motors. A avaliação de uma marca tem muito a ver com sua comunidade e não com suas margens de lucros, ou tamanho. Quando um usuário se sente parte de uma comunidade, de um todo, você deixa de ter um usuário para ter um evangelista. Costumo brincar que o Firefox não tem usuários, tem fanáticos.
  • Produtos devem ser direcionados à comunidade, e não a comunidade aos produtos. Se você não compreende sua comunidade, seus anseios, e segue o know how do corpo técnico da sua empresa você tem grandes chances de errar. As vezes atitude é mais importante que habilidade e conhecimento. É preciso fazer parte da comunidade, para entender seu comportamento. Se seu consumidor/usuário se sente parte da sua marca, da comunidade, você pode arriscar mais. Se você errar ele pode até indicar rumos a tomar.
  • Vivemos a era dos consumidores/usuários no controle e o único jeito de mudar isso é estabelecendo uma liderança criativa. É preciso estar atento as demandas da comunidade, mas caso sua marca queira realmente assumir a ponta ela precisa além de suprir as demandas, oferecer algo novo. Ex: No caso Iphone, a Apple ofereceu além de um celular que navegasse de verdade na internet um novo padrão de usabilidade e hardware, algo que a comunidade gostaria de ter, mas não havia demandado. A Apple é um ótimo exemplo de liderança criativa da sua comunidade, que está sempre atenta a qual será a próxima grande surpresa, a inovação.
  • Dê poder aos usuários. Se eles tem a possibilidade de se manifestar, criticar, expor seus pontos de vista livremente, eles vão no mínimo respeitar sua marca. Existem modelos de negócio decorrentes do poder de usuários, como o Digg, o Camiseteria e muitos outros. É um formato interessante e economicamente viável.

Estas pontuações não absolutas, universais, ou pretensiosas, são só opiniões. O ponto que me levou a criar este post foi que eu estava numa palestra com bastante público, e um público de pessoas bem esclarecidas, mas que me pareceram incrivelmente conservadoras, salvo raras exceções. A maioria parecia ter medo da palavra branding, e não ser familiarizada com os conceitos da internet. Não conseguia sequer cogitar a hipótese de transformar seus produtos em “sonhos” , de criar uma comunidade ao redor das suas marcas. Infelizmente acredito que com essa mentalidade, e com medo de arriscar, as pessoas e empresas vão continuar vendendo commodities pelo resto da vida, mesmo sem perceber. Cabe a nós divulgar e trabalhar para trazer práticas mais modernas ao Branding e Marketing no Brasil.

Concorde ou discorde, comente, quero saber a sua opinião sobre o assunto!

8 Responses to “ Gian Luigi Longinotti-Buitoni e a importância das Comunidades ”

  1. Pecanha

    Opa Dieguim!
    Bacana a análise, mas vou só discordar em um ponto: acredito que o Facebook não é uma comunidade, mas sim uma plataforma. Claro que existem comunidades dentro do facebook sobre o próprio Facebook, mas o que dá valor a ele é sua base de usuários e seu sistema. A marca facebook, se não me engano, não vale US$15 bilhoes, mas sim o site facebook inteiro (e mesmo assim mta gente acha isso mto exagerado).
    Não quer dizer que não seja uma marca valiosa, mas acho que é diferente da idéia que você colocou de comunidades como instrumento de fortalecimento da marca.
    Ps. Sou editor desse blog tb e tô discordando… mas td bem, estamos aqui pra discutir, não é? Não é nada pessoal… ehehehe
    Ps2. Se vc acha os usuário de FireFox fanáticos, nem tenho palavras para descrever os usuários da Apple
    abraz

  2. dttg

    Peça, realmente o sentido de marca que usei ali foi me referindo a empresa Facebook, o mesmo caso vale para a GM (e sim, uma empresa com patrimônios fisicos, fábricas, vários milhares de instalações vale quase o mesmo que o Facebook). O Facebook, asim como o orkut e o Myspace são na minha opinião comunidades. Acho que passarão a plataforma realmente quando a web conseguir tirar total proveito do Facebook Connect, Google Friend Connect e Myspace data Availability, gerando serviços que utilizem de verdade as possibilidades externas destas comunidades (ou plataformas). Acho q é só uma discordância semântica.

  3. Fabio Seixas

    Seu último paragrafo resume muito bem o que também percebo entre as empresas e executivos mais conservadores.

    CErta vez li a seguinte frase: “Weak companies like status quo”. E isso é a mais pura verdade. Focar comunidade, dar poder ao usuário são coisas pessadas que a maioria das empresas não quer levantar.

  4. dttg

    Sem dúvida. O problema é que hoje isso é regra, não excessão. Parece que as pessoas estão com medo de perder seus empregos se ameaçarem inovar. E no Brasil, as pessoas ainda empreendem muito por falta de oportunidade e não por identificar uma oportunidade. A oportunidade é bem essa está aí e se chama foco no usuário, Em todo negócio, ela está lá.

  5. Widgy | Experiência e História pra contar 2.0

    [...] Gian Luigi Longinotti-Buitoni e a importância das Comunidades [...]

  6. Schel

    Concordo que empresas de sucesso mundial como a Nike já não estão focadas no produto tem muito tempo, e por incrível que pareça, para esses tais conservadores, essa atitude de distânciamento do foco no produto foi extremamente positiva, e melhor, lucrativa.
    Produto por produto, um tênis Nike e outro Olympikus não tem grandes diferenças, mas porque o tênis Nike exerce tanto facínio pelas pessoas? Força de marca.
    Diego, você tinha comentado que o Firefox não possui usuários, mas sim fanáticos. Lembro de um caso muito parecido: o Netscape.
    Há algum tempo, o Netscape disputava cabeça a cabeça com o Internet Explorer a liderança de browsers de internet e possuia uma legião de fãs ou mesmo fanáticos, mas nem isso fez com que ele resistisse à guerra.

  7. Diego.gomes

    Schel, eu usava netscape! O erro deles foi falta de atenção as demandas da comunidade na minha opinião! E também foi parcialmente culpa da microsoft, vendendo ie fundido no windows!

  8. Na Correria - Experiência e História para Contar 2.0

    [...] o vácuo do último post do Diego, vou falar um pouco sobre web 2.0 e branding também. Não adianta, eu simplesmente não [...]

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